Zapia deixa WhatsApp como base e concentra uso no aplicativo próprio

A uruguaia Zapia deixou de operar dentro do WhatsApp e hoje concentra 100% do uso no aplicativo próprio. A startup informou ter mais de 8 milhões de usuários, 30% deles no Brasil, e mantém um caso aberto no Cade sobre a API da Meta. A virada mostra uma assistente de IA reduzindo a dependência de uma única plataforma.

Por Redação ias.news, Staff

outubro 13, 2026

Zapia aplicativo próprio: ilustração de celular com assistente de IA, lista de tarefas e conectores para mensagens, agenda, e-mail e arquivos

A Zapia, startup uruguaia de assistente de inteligência artificial, deixou de operar diretamente dentro do WhatsApp e hoje concentra todo o uso no aplicativo próprio. A mudança foi detalhada pela empresa em entrevista ao Startups, publicada na sexta-feira (9).

A virada ocorreu depois que a Meta mudou, há cerca de um ano, os termos da API do WhatsApp Business e baniu chatbots de IA de uso geral. A Zapia informou que tem mais de 8 milhões de usuários. O Brasil é o principal mercado da startup e responde por 30% da base, segundo a empresa.

“Quando anunciamos a mudança, o WhatsApp representava mais de 90% do uso. Hoje, nosso aplicativo concentra 100%”, disse Roger Dimant, vice-presidente de marketing da Zapia, ao Startups.

Caso no Cade segue aberto

A Zapia recorreu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a restrição. O CEO, Juan Pablo Pereira, afirmou que o caso continua em andamento, acompanhado por um escritório de advocacia brasileiro, e que deve chegar a uma resolução em algum momento.

Pereira disse que a divergência com a Meta se limita à falta de permissões para operar com as APIs do WhatsApp Business. Segundo ele, a disputa não afetou a relação entre as empresas. “A relação com a Meta é muito boa e temos uma parceria comercial muito importante”, afirmou o executivo.

Como funciona o aplicativo próprio da Zapia

A empresa lançou o aplicativo em abril com o nome Zapia Max. Hoje ele se chama apenas Zapia. O WhatsApp continua na estratégia como conector: o usuário pode automatizar tarefas, resumir e transcrever conversas e chamar a assistente em qualquer conversa com o comando “@zapia”.

Segundo a startup, o WhatsApp deixou de ser a base do produto e passou a ser uma das ferramentas conectadas. A proposta também mudou. Em vez de só conversar, a assistente executa tarefas no mundo real, desde que o usuário dê autorização.

Entre os exemplos citados pela empresa estão um resumo matinal com dados do Calendar, do Gmail e do WhatsApp, enviado no horário escolhido pelo usuário. A assistente também cota e negocia produtos ou serviços com fornecedores e organiza comprovantes recebidos por WhatsApp, Gmail ou Drive em uma planilha de custos.

A Zapia lançou ainda o Radar, função que monitora pendências e vencimentos e sugere ações ao usuário. A empresa informou também que ampliou a navegação na web para que a assistente realize tarefas em sites.

Planos e equipe

A maioria dos usuários está na versão gratuita, segundo a empresa. Os planos pagos oferecem mais automação e acesso a modelos de IA mais avançados. O plano Pro custa US$ 10 por mês, e o Ultra, US$ 100 por mês.

A equipe passou de 18 para 28 funcionários desde março. As contratações se concentraram em produto, tecnologia e marketing, informou a startup.

Antecedentes

Em março, a Zapia anunciou uma rodada de US$ 7 milhões com a Prosus Ventures. Com o aporte, o total captado pela startup chegou a US$ 19,3 milhões, segundo o Startups. A empresa disse que usa os recursos para ampliar a equipe, desenvolver o produto e fazer marketing para atrair usuários.

A Zapia opera em toda a América Latina. Depois do Brasil, seus maiores mercados são México e Argentina. A startup chegou oficialmente à Europa há cerca de seis semanas e informou que, nos próximos 12 meses, vai priorizar o crescimento na América Latina e no mercado europeu.