Ploomes Estúdio IA chega ao mercado com investimento próprio de R$ 25 milhões

A Ploomes vai investir R$ 25 milhões próprios entre 2026 e 2027 no Estúdio IA, que cria telas, fluxos e integrações dentro do CRM sem programação. A empresa estima cortar em até 80% o tempo de implantação, de 4,6 meses para cerca de 28 dias. A aposta mostra a disputa no CRM brasileiro passando dos copilotos para uma IA que configura o próprio sistema.

Por Redação ias.news, Staff

outubro 12, 2026

Ploomes Estúdio IA: ilustração de tela de CRM com painéis e gráfico, uma nova tela sendo montada e balões de chat de IA

A Ploomes, plataforma de CRM para médias empresas fundada em 2015, lançou na semana passada o Estúdio IA, conjunto de ferramentas que usa inteligência artificial para criar telas, processos e integrações dentro do sistema. A empresa informou que vai investir R$ 25 milhões no projeto entre 2026 e 2027.

O dinheiro é da própria Ploomes e não vem de uma rodada com investidores. Segundo a Exame, o desenvolvimento começou no início deste ano, e os recursos vão para equipes de programadores e para o aprimoramento da ferramenta.

A empresa estima que o Estúdio IA reduza em até 80% o tempo de implantação do CRM em novos clientes, de uma média de mercado de 4,6 meses para cerca de 28 dias. O número é uma projeção da própria companhia, segundo o Startupi.

Como funciona o Ploomes Estúdio IA

A ferramenta tem quatro frentes, informou a empresa ao TI Inside. O Construtor de Telas gera telas, dashboards, formulários e miniaplicações a partir de uma descrição em texto, conectados aos dados reais da empresa. O Integrador monta fluxos de automação com agentes de IA e ferramentas como Slack e Gmail.

O CPQ em Branco lê arquivos da empresa para interpretar regras de preço e transforma essas regras em modelos de proposta ligados ao ERP. O Radar Ploomes transcreve as interações do vendedor com o cliente. A função já transcrevia chamadas de vídeo desde abril e agora também registra ligações, WhatsApp, e-mail e calendário, vinculados a cada cliente.

O pacote inclui ainda um chat para administradores, que permite configurar o sistema e fazer alterações em massa, como passar a carteira de clientes de um vendedor para outro. “O objetivo é que a IA construa telas operacionais mais fiéis à operação do cliente, além de integrar, automatizar e alimentar o sistema”, disse Matheus Pagani, CEO e fundador da Ploomes.

Plano à parte e disputa com copilotos

O Estúdio IA será vendido como um plano separado para os clientes da Ploomes, segundo a Exame. A empresa não revelou quanto espera crescer nem quanto o lançamento deve elevar o tíquete médio. “O principal objetivo é usar o lançamento como uma estratégia de diferenciação para aumentar nosso volume de vendas e nossa taxa de conversão em relação aos concorrentes”, afirmou Pagani à revista.

O executivo disse que o mercado brasileiro tem incluído agentes de IA no CRM como assistentes e copilotos, que respondem a perguntas com base nos dados do sistema. “O Estúdio IA vai além ao usar automaticamente o contexto de cada cliente para criar as telas, integrar sistemas e executar os processos necessários em cada operação comercial”, afirmou.

Sobre segurança, a Ploomes informou que os dados de seus clientes não são usados para treinar modelos abertos de IA e que o contexto fica restrito à operação dentro da plataforma. A afirmação é da empresa.

Antecedentes

O lançamento chega em meio à dificuldade das empresas brasileiras de levar a IA para a operação. Um levantamento da Deloitte com 115 executivos brasileiros, citado no comunicado da Ploomes, apontou que 58% das empresas implementaram no máximo 20% de seus projetos-piloto de IA. Só 23% escalaram 40% ou mais dessas iniciativas.

Pagani disse à Exame que o planejamento de novos lançamentos é feito a cada trimestre e que ainda não é possível dizer quais ferramentas sairão com a parcela do investimento prevista para 2027. Mais detalhes do produto estão na página oficial do Estúdio IA.