A Zenzap, startup que desenvolve um messenger com agentes de inteligência artificial para comunicação no trabalho, captou US$ 44 milhões em uma Series A liderada em conjunto pela Bessemer Venture Partners e pela Lightspeed Venture Partners. A rodada foi relatada pelo TechCrunch nesta quarta-feira (14) e confirmada em posts da Lightspeed e da própria empresa.
Também participou do aporte a The Garage. O TechCrunch citou ainda investidores individuais, entre eles Nir Zohar, presidente da Wix, e Yoram Tietz, ex-executivo da EY. Segundo o blog da Zenzap, os recursos devem reforçar produto, times de desenvolvimento e vendas e a expansão internacional.
A tese da empresa é disputar o espaço hoje ocupado por aplicativos pessoais, como WhatsApp e iMessage, em operações de hospitalidade, construção, saúde, varejo e fast food. Nessas frentes, o chat do consumidor final costuma ser o canal de coordenação da equipe, com pouca governança de TI.
Como o chat com IA da Zenzap se posiciona
O cofundador e CEO Guy Weiss disse ao TechCrunch que WhatsApp e iMessage não atendem requisitos de conformidade quando se acrescenta um agente de IA sobre a conversa. Slack e Microsoft Teams, por outro lado, teriam sido feitos para outro perfil de uso, menos mobile-first e menos voltado ao trabalhador médio de operação.
“Você não pode usar WhatsApp ou iMessage no ambiente de trabalho com o agente de IA por cima porque isso não cumpre as regras de TI”, afirmou Weiss, segundo a reportagem. A empresa oferece chat em grupo e mensagens diretas, gestão de tarefas, integração com calendário, busca com IA e, nos planos pagos, chamadas e limites maiores de armazenamento.
No texto do TechCrunch, o plano pago começa em US$ 51 por mês para até 20 usuários. Agentes de automação e transcrição de voz e chamadas entram em um modelo de créditos. A Lightspeed descreveu a proposta como um assistente no estilo de produtos de consumo, porém com controles de segurança e governança para a empresa.
Adam Fisher, sócio da Bessemer, afirmou em nota enviada ao TechCrunch que a maior parte dos funcionários ainda usa mensageiros pessoais no trabalho e espera um agente próprio. “As pessoas querem uma separação clara entre vida pessoal e trabalho, e a adoção de agentes pessoais e profissionais torna essa separação urgente agora”, escreveu.
Quem usa e de onde veio a empresa
O TechCrunch listou organizações como FedEx, Dollar General, Taco Bell, Starbucks, Casey’s e Regal entre os clientes citados pela Zenzap. Weiss afirmou à publicação que filiais de redes como IHOP e McDonald’s usam a plataforma para coordenar turnos e conversar sobre suprimentos.
Há divergência de magnitude entre as fontes. O blog da Zenzap fala em mais de 10 mil equipes no dia a dia. A Lightspeed escreveu que milhares de negócios usam o produto diariamente nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Austrália. Os números não foram reconciliados de forma independente nesta reportagem.
A Zenzap foi fundada em 2022 por Weiss, pelo CTO Jonatan Bien e pelo COO Noam Neumann. Weiss havia fundado a StuccoMedia, vendida à Market Group em 2015, e afirmou ao TechCrunch que começou a Zenzap com capital próprio, trabalhando a partir do escritório da Bessemer, antes de aceitar venture capital.
Segundo o TechCrunch, a empresa tem cerca de 50 pessoas nos Estados Unidos, em Tel Aviv e na Europa e pretende reforçar produto e P&D. Em post próprio, a Lightspeed destacou certificações citadas pela companhia, como SOC 2 Type 2, ISO/IEC 27001, GDPR e HIPAA, e disse que 60% dos clientes que ativaram os agentes passaram a usá-los diariamente em duas semanas, conforme dados da Zenzap.
