A Matria, healthtech mineira que usa agentes de inteligência artificial na gestão de pacientes de hospitais, captou US$ 6,5 milhões em uma rodada seed liderada pela gestora brasileira Astella. A operação foi revelada pelo Pipeline, do Valor Econômico, nesta quinta-feira (15).
Também entraram na rodada os fundos estrangeiros Endeavor Scale Up Ventures, Floating Point e FluentVC, além de investidores-anjos do setor de saúde. Entre eles está o cirurgião Paulo Chapchap, conselheiro da Wellhub e da Afya, que passou a integrar o conselho da startup. O site da Matria o apresenta como presidente do board.
Segundo o fundador e CEO, João Vitor Innecco, o dinheiro vai financiar contratações em produto, tecnologia e no time comercial. A empresa também quer acelerar no México, onde abriu operação no ano passado. “Agora é colocar gasolina”, disse Innecco ao Pipeline. O valuation não foi divulgado.
Como funcionam os agentes de IA da Matria
A Matria conecta os sistemas que os hospitais já usam e uniformiza a base de dados para que os agentes executem tarefas. Segundo o Pipeline, eles agendam exames, consultam pendências clínicas dos pacientes e sugerem retornos. A empresa lançou recentemente um copiloto que transcreve consultas e checa o histórico do paciente para apoiar o médico.
No site da companhia, o portfólio aparece dividido em três frentes. O Agente de Call Center transforma em agendamento a demanda que chega ao hospital, inclusive à noite e nos fins de semana, por texto, áudio e voz. O Agente de Concierge identifica cuidados pendentes e conduz o paciente até a marcação.
O terceiro produto, o Clinical Copilot, estrutura o registro da consulta. Segundo a empresa, situações que exigem atendimento humano seguem regras de transbordo definidas pelo hospital, e o médico revisa e valida o conteúdo clínico produzido pela ferramenta.
“Nosso grande diferencial é a capacidade de usar o contexto da infraestrutura de dados de saúde para usar esses agentes”, afirmou Innecco ao Pipeline. A base técnica é uma camada própria de dados e integrações que a Matria chama de Health Data Fabric.
Clientes, México e números não abertos
Segundo o Pipeline, a Matria tem mais de 100 clientes no mercado privado de saúde do Brasil, entre eles Rede D’Or, Rede Américas e Hospital Israelita Albert Einstein. No México, a operação responde por 20% do faturamento e reúne 26 clientes.
“É um mercado menos digitalizado que o nosso, mas com mais capacidade de pagar por serviços de saúde”, disse o CEO sobre o país. A entrada de três fundos estrangeiros na rodada reforça a aposta na expansão latino-americana, segundo a reportagem.
Os indicadores de crescimento são da própria empresa e não foram verificados de forma independente. Innecco afirmou que a startup cresceu 12 vezes desde a rodada anterior e que espera fechar o ano com receita sete vezes maior que a do início de 2026. A companhia não divulga faturamento.
O aporte chega num momento de disputa por automação no atendimento de saúde. Em setembro, a Selbetti comprou a catarinense Botdesigner, que automatiza a jornada do paciente em mais de 200 instituições, segundo o Startups. O Mapa IA Brasil, lançado pela MSW Capital nesta quinta, lista 20 startups de saúde entre as empresas com IA no centro do produto.
De Marisa Care a Matria
Innecco, médico de formação, criou a empresa em 2023 com o nome Marisa Care, em homenagem à avó, Marisa Innecco. Ela morreu em decorrência de um câncer de mama diagnosticado tardiamente. Segundo o fundador, o tratamento poderia ter começado antes se as informações estivessem conectadas em um sistema integrado.
Antes da startup, o executivo fundou a Confie Kits Diagnósticos, de testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis, foi consultor de inovação na Dasa e CEO do Incor Minas, em Belo Horizonte. A Matria é a primeira startup dele, segundo o Pipeline.
Em agosto de 2025, a então Marisa.Care recebeu uma rodada pré-seed liderada pela Afya. A Época Negócios informou o valor de R$ 8 milhões na época, e o Pipeline cita US$ 1,5 milhão. Segundo o Pipeline, a Afya fez follow-on no negócio.
