Uso de IA entre startups chega a 68%, mas só 41% se sentem prontas para agentes

O estudo Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil 2026, da Strand Partners para a AWS, mostra que 68% das startups já usam IA, acima da média nacional de 50%. Só 41% se consideram prontas para sistemas agênticos; barreiras incluem habilidades (46%) e dados (36%).

Por Redação ias.news, Staff

setembro 4, 2026

Ilustração abstrata do uso de IA entre startups e da lacuna de prontidão para agentes

No AWS Summit São Paulo, na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, a Amazon Web Services apresentou a nova edição do estudo Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil 2026, feito pela consultoria Strand Partners. O material coloca as startups brasileiras à frente da adoção de inteligência artificial — e, ao mesmo tempo, expõe o limite dessa liderança.

Segundo o levantamento, 68% das startups já usam IA, acima da média nacional de 50%. No mesmo grupo, porém, apenas 41% se consideram “totalmente” ou “muito” preparadas para tecnologias de próxima geração, como sistemas agênticos capazes de agir com autonomia. Os números foram divulgados no evento e repercutidos por veículos como Startups e PEGN.

A média nacional passou de cerca de quatro em cada dez empresas em 2025 para 50% em 2026 — cerca de 12 milhões de negócios —, conforme a nota oficial da AWS no Brasil.

Uso de IA entre startups sobe de 53% para 68%

O uso de IA entre startups saltou de 53% para 68% em um ano, de acordo com a edição 2026 do relatório Strand Partners para a AWS. A PEGN atribuiu a Alvaro Echeverria, diretor e gerente-geral da AWS para Startups na América Latina, a leitura de que a tecnologia ainda está em etapas iniciais e de que parte das startups já nasceu nativa em IA.

“A tecnologia ainda é muito nova, estamos nas primeiras etapas. Certas startups nasceram antes desse momento e estão adotando a tecnologia muito rápido, e algumas são nativas, já utilizam IA desde o dia um. No próximo ano, vamos estar próximos de 80% a 90% de adoção pelas startups”, disse Echeverria, segundo a PEGN. A projeção é declaração do executivo, não um dado do levantamento.

Além do volume, o estudo mede maturidade. Entre as startups, 26% disseram operar no estágio mais avançado — sistemas complexos, múltiplos modelos e IA autônoma ou agêntica. O índice é o dobro do das PMEs (13%) e quase o triplo das grandes corporações (9%), conforme Startups e PEGN.

No conjunto nacional de adotantes, a maior fatia ainda está no nível básico: 58% usam IA para ganhos incrementais, ante 62% no ano anterior, informou a PEGN. A nota da AWS detalhou o funil: 58% no básico, 27% no intermediário e 15% no avançado.

Produtos, talentos e o ritmo à frente das PMEs

No último ano, 48% das startups lançaram um novo produto ou serviço orientado por IA, ante 36% na média das empresas que adotaram a tecnologia no país, segundo Startups. O percentual entre startups representa um salto em relação aos 31% do levantamento anterior.

A contratação também avançou: 49% das startups empregam profissionais dedicados exclusivamente à IA, ante 37% em 2025, de acordo com Startups. Echeverria afirmou à PEGN que a adoção é “muito mais sofisticada”, com sinais de IA agêntica mais visíveis no Brasil do que em outros países da América Latina, na comparação do executivo. A nota da AWS situou as startups na vanguarda frente a PMEs e grandes corporações.

Prontidão para agentes: 41% nas startups, 21% no país

Apesar da liderança em adoção, a prontidão para a próxima geração permanece limitada. Apenas 41% das startups se consideram “totalmente” ou “muito” preparadas para tecnologias mais avançadas, como sistemas agênticos, informou Startups. A média nacional de empresas que se sentem prontas para essa etapa é de 21%, segundo a mesma reportagem e a nota da AWS.

A lacuna persiste mesmo entre startups já avançadas: nesse grupo, a parcela preparada para a próxima geração é quase o dobro da média nacional de 21%, ainda assim limitada, segundo Startups. No país, apenas 26% das empresas disseram ter ouvido falar de IA agêntica; entre as que conhecem o conceito, 6% concluíram uma implantação e 31% estavam em experimentação ou piloto. A PEGN resumiu: cerca de uma em quatro ouviu falar do tema e só 6% já implementaram agentes.

Barreiras: habilidades, dados e capacidade interna

A principal barreira no recorte de Startups é a escassez de habilidades em IA e competências digitais, citada por 46% das empresas. Em seguida vêm entraves técnicos ou de dados (36%), capacidade interna insuficiente na força de trabalho (35%) e acesso limitado a ferramentas ou infraestrutura avançada (29%). Na nota da AWS, a escassez de habilidades aparece para 48% das empresas no recorte nacional. O comunicado também informou que 72% das organizações concordam que as ferramentas de IA estão disponíveis.

“Os dados revelam que o Brasil está em um momento decisivo em relação à tecnologia, com a transição do foco da adoção de IA de ‘quem está usando’ para ‘como alcançar seu potencial máximo’. O desafio dos líderes hoje não é o acesso à tecnologia, mas a preparação para a nova onda da IA, como a IA agêntica e física.”

Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, em nota

Investimento sobe; medir retorno ainda é gargalo

No plano nacional, 68% das organizações aumentaram os investimentos em IA no último ano, e 88% já adotaram a nuvem como infraestrutura de suporte, segundo a AWS. Entre as que utilizam IA, 72% relataram ganhos de produtividade, e 79% esperam que a tecnologia impulsione o crescimento dos negócios nos próximos 12 meses.

A PEGN informou que 81% das empresas disseram que a IA tem papel crítico ou importante na estratégia — o mesmo percentual aparece na nota da AWS para quem já utiliza a tecnologia. Além disso, 76% das empresas identificam a adoção de IA como prioridade estratégica alta ou máxima, de acordo com o comunicado oficial.

Entre benefícios, a PEGN citou decisões e execuções mais rápidas para 57% das empresas entrevistadas e aumento de produtividade operacional para 64%. A mensuração do retorno, porém, segue frágil: apenas 33% se disseram confiantes e 28% têm framework de medição, segundo a PEGN. O Valor Econômico, sobre a mesma pesquisa com 1.000 organizações ouvidas em julho, informou que 63% das que já usam IA entendem conseguir medir o retorno, mas só 28% possuem ferramentas para isso.

“Os dados da pesquisa revelam que o Brasil está em um momento decisivo da economia digital, com as startups liderando a transição da experimentação isolada para a criação de valor real e escalável com a IA.”

Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, em nota citada por Startups

O que o estudo cobre — e o que as fontes atribuem

O relatório Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil 2026 foi encomendado pela AWS à Strand Partners e divulgado em 3 de setembro de 2026 no AWS Summit São Paulo. Coberturas da Exame e do Valor situam a pesquisa junto a cerca de 1.000 líderes empresariais; a Exame também mencionou 1.000 cidadãos e diretrizes da Sociedade de Pesquisa de Mercado do Reino Unido e da Esomar. Projeções de adoção futura atribuídas a executivos foram registradas como declaração, não como resultado amostral.

Em síntese, o estudo descreve um mercado em que o uso de IA entre startups já supera a média nacional, com maturidade avançada concentrada nesse segmento, enquanto a prontidão para sistemas agênticos e a capacidade de medir retorno permanecem atrás do ritmo de adoção.