A Monashees, o Google for Startups e a B3 inauguraram na terça-feira, 1º de setembro de 2026, a Gama House, hub voltado a startups AI-first em São Paulo. O espaço ocupa cerca de 1.000 metros quadrados no edifício Gabriel 1825, entre a Faria Lima e Pinheiros, e foi estruturado como associação sem fins lucrativos, com as três organizações como mantenedoras âncoras.
No mesmo ecossistema Gama, a gestora anunciou o Gama Fund, de US$ 10 milhões em parceria com o Google, com aporte de US$ 2 milhões em cada uma de cinco startups de IA selecionadas. O Google for Startups informou ainda US$ 350 mil em créditos de nuvem para uso do Gemini e de soluções Google Cloud, além de suporte técnico a fundadores residentes. O custo de estruturação do hub não foi divulgado.
A cobertura da inauguração circulou em 3 de setembro em veículos como Startupi e Bloomberg Línea. Segundo essas reportagens, o endereço também passou a abrigar a musictech Moises e a nova sede da Monashees, que deixou a região da Avenida Berrini após cerca de duas décadas.
O que a Gama House reúne em São Paulo
Diferentemente de coworkings genéricos, o projeto foi descrito pelas fontes como espaço dedicado a negócios nativos de inteligência artificial. A proposta é reunir founders, networking e programas de parceiros sob a marca Gama, separada da Monashees.
Entre os apoiadores iniciais citados estão Notion, Stripe, o escritório de advocacia BZCP e a Shiva. A Shiva captou US$ 10 milhões em rodada pré-seed liderada pela Monashees para ajudar outras empresas a nascerem com IA e deve instalar operação no hub, com atividades técnicas como hackathons.
O Google Cloud Challenge, programa de aceleração para fundadores AI-first, terá a Gama House como residência fixa, conforme as matérias. A B3, por sua vez, afirmou interesse em ficar próxima de inovações que possam surgir no ambiente, em meio ao esforço da bolsa de se aproximar do ecossistema de tecnologia.
Em outubro, a Monashees prevê o Gama Summit na Califórnia, onde abriu escritório nos últimos meses. A gestora já mantém operação no México, além de São Paulo.
“Tem um monte de empresas que estão começando na América Latina e virando empresas globais, ou empresas globais construídas por empreendedores latino-americanos, o que mostra que estamos num jogo global.”
Eric Acher, sócio e fundador da Monashees, em entrevista citada pela Bloomberg Línea e pelo Startupi
Acher acrescentou que a Gama House, o Gama Fund e o Gama Summit são “maneiras de influenciarmos e criarmos esse movimento”.
Marca neutra e o Gama Fund de US$ 10 milhões
A criação da marca Gama, fora do nome Monashees, foi apresentada como decisão estratégica. Segundo Acher, a neutralidade permite agregar a indústria em torno da tese “global LatAm” e abrir portas para parcerias com outros fundos locais e internacionais.
“Nós e a indústria vamos nos beneficiar de criar uma marca neutra chamada Gama, para poder concentrar e unir a indústria inteira em volta do global LatAm.”
Eric Acher, à Bloomberg Línea
Jan Kishi Diniz, head de jornada dos fundadores na Monashees, afirmou que a Gama consegue reunir parceiros “super relevantes” e “aspiracionais” para o empreendedor de tecnologia. Nos próximos meses, o projeto deve ganhar um comitê estratégico com especialistas do setor, segundo as mesmas fontes.
No Gama Fund, o desenho informado é de US$ 10 milhões com o Google e cinco cheques de US$ 2 milhões. Os créditos de US$ 350 mil em Gemini e Google Cloud ficam na camada de infraestrutura e suporte do Google for Startups aos residentes do hub. Não há, nas reportagens consultadas, divulgação do valor investido para montar fisicamente a Gama House; as negociações com novos parceiros seguem ativas.
A tese da terceira onda e o timing do venture capital
O nome Gama, terceira letra do alfabeto grego, traduz a leitura da gestora sobre o amadurecimento do ecossistema latino-americano. Na versão atribuída a Acher, a primeira onda, no início do século, concentrou infraestrutura e copycats — adaptações de modelos dos Estados Unidos e da Europa. A segunda trouxe startups de classe mundial focadas em problemas regionais, com menção a Nubank e 99.
A terceira onda, impulsionada pela IA, seria a das empresas AI-first com ambição global desde o início. As reportagens citam, nesse grupo, as brasileiras Enter, Tractian e Moises, além da americana Vercel, fundada pelo argentino Guillermo Rauch.
Para o venture capital, o efeito prático descrito por Acher é a antecipação de receita e visibilidade — muitas vezes antes mesmo do seed. O movimento com Gama Fund, Gama House e Shiva busca, nas palavras do fundador, um “first look” cedo em empresas AI-first, “antes que os valuations fiquem naturalmente muito altos”.
“O crescimento da receita e a visibilidade das startups mais vencedoras acontecem muito mais cedo, até antes do seed.”
Eric Acher, nas coberturas de 3 de setembro de 2026
A Monashees não descarta levar o modelo a outros países da região, alinhada à tese global LatAm. Em 20 anos de operação, desde a fundação em 2005, a gestora passou do desafio de provar que o Brasil podia gerar startups relevantes para a disputa por posicionamento precoce em IA, segundo o histórico narrado nas matérias.
Em síntese, a Gama House entra em operação em São Paulo com mantenedores Monashees, Google for Startups e B3, cerca de 1.000 m² no Gabriel 1825 e encaixe no pacote Gama Fund (US$ 10 milhões, US$ 2 milhões × 5) mais US$ 350 mil em créditos Gemini/Cloud. O valor do hub em si não foi revelado. O Gama Summit na Califórnia está previsto para outubro, e a expansão regional permanece em aberto.
