Revi capta R$ 8,3 milhões para levar agentes de IA ao varejo físico

A Revi, startup brasileira de agentes de IA para marketing no varejo, captou R$ 8,3 milhões em rodada liderada pela ABSeed. A empresa diz que vai triplicar o faturamento, para R$ 18 milhões em 2026, e agora tenta entrar em grandes redes de lojas físicas, mercado mais difícil que o digital.

Por Redação ias.news, Staff

novembro 2, 2026

Fundadores da Revi, Marcelo Miyachi, Juliana Haddad e Nicholas Love, com camisetas da startup em escritório

Startup brasileira de marketing com IA tem rodada liderada pela ABSeed, diz que vai triplicar o faturamento em 2026 e agora tenta convencer grandes redes de lojas

A Revi, startup brasileira que usa agentes de inteligência artificial para organizar dados de clientes do varejo e sugerir campanhas de marketing, captou R$ 8,3 milhões em rodada liderada pela gestora ABSeed. O dinheiro vai financiar a entrada em grandes redes do varejo físico e o desenvolvimento do produto, informou o Brazil Journal na quinta-feira (29).

A GR8 Ventures entrou como nova investidora. Os quatro fundos que já estavam no captable, Veredas Partners, Stamina VC, Verve Capital e Crivo, fizeram follow-on e aumentaram a participação. O estágio da rodada e o valuation não foram divulgados.

Segundo os fundadores, a Revi faturou R$ 6 milhões em 2025 e projeta R$ 18 milhões em 2026, o triplo. A meta é chegar a R$ 40 milhões até o fim de 2028. Os números são informados pela empresa e não foram auditados de forma independente.

Como funcionam os agentes da Revi

A Revi foi fundada por Nicholas Love (CEO), Juliana Haddad (COO) e Marcelo Miyachi (CTO). A startup integra dados que costumam ficar espalhados entre PDV, ERP e diferentes softwares de venda. Os agentes analisam essa base e propõem ajustes em campanhas em andamento, além de novas ações de recompra e fidelização.

No site, a empresa se apresenta como CRM e plataforma de marketing conversacional com IA para e-commerce. Ela informa mais de 40 integrações, como Shopify, VTEX e Nuvemshop, e disparos por WhatsApp, e-mail e SMS. Cada venda, segundo a Revi, é atribuída à campanha que a gerou.

“Estávamos fazendo testes com essa primeira ideia com umas seis empresas brasileiras, principalmente de moda, e vimos que a dificuldade que elas realmente tinham era de organizar e integrar todos os dados do PDV, ERP e de diferentes softwares”, disse Love ao Brazil Journal. A ideia original, de 2021, era replicar no Brasil o modelo da americana Podium, de avaliações de clientes.

No digital, segundo o executivo, os agentes podem comparar o fluxo de abandono de compra com o de lojas do mesmo segmento. Se os pares convertem mais com um follow-up no segundo dia, e não no primeiro, o sistema sugere a mudança. “É esse tipo de otimização que fazemos, que em escala geram resultados relevantes”, afirmou.

Clientes e retorno declarado

A Revi informou atender cerca de 500 clientes, entre eles a Aura Beauty, marca de cosméticos da influenciadora Jade Picon, a Baw Clothing e o Grupo Rosset, dono da Cia. Marítima. A empresa também fechou contrato recente com o Grupo Aste, que opera a marca Kipling no Brasil.

Love disse que o ROIC médio dos clientes desde a fundação da Revi é de 34 vezes. Na conta dele, anúncios em plataformas como Meta e Google rendem de 3 a 5 vezes. A metodologia do cálculo não foi divulgada, e o dado deve ser lido como declaração da companhia.

O fundador afirmou que a ferramenta não substitui os times de marketing, mas aumenta a produtividade deles. Isso, segundo ele, pode levar a equipes menores fazendo o mesmo trabalho. Nas lojas físicas, as vendedoras passam a ter histórico de compra do cliente para abordagens com mais chance de venda.

O desafio da loja física

Hoje a Revi está concentrada no varejo digital, de acordo com o fundador. A mudança de foco para redes enterprise com lojas físicas é o principal risco do plano. Em análise publicada nesta segunda-feira (2), a plataforma Dealroom apontou que esse mercado é mais difícil e que os números de crescimento e retorno da Revi são informados pela própria empresa.

A disputa por esse espaço cresce. Na sexta-feira (30), a colombiana Celes anunciou US$ 5 milhões em Série A liderada pela brasileira SP Ventures para entrar no Brasil com agentes de IA de reposição de estoque em lojas físicas, segundo o Startups. Nesta segunda (2), a Exame mostrou que a Looqbox testou recomendações de IA com mais de 8 mil vendedores da Casas Bahia.

“Hoje, já temos vários agentes em operação, mas temos que continuar melhorando o desempenho e construindo novos. O objetivo final é chegar num software que seja 100% operado por agentes”, disse Love ao Brazil Journal.

Antecedentes

Em novembro de 2024, a Revi captou R$ 2,5 milhões em rodada pré-seed liderada pela Veredas Partners, com Crivo Ventures, Stamina VC e Verve Capital, segundo o Startups. Na época, a startup tinha 12 funcionários e o WhatsApp como principal canal. A empresa projetava faturar R$ 1,8 milhão em 2024 e mais de R$ 5,5 milhões em 2025.