Tractian capta US$ 130 milhões e vira unicórnio de IA

A brasileira Tractian, que usa sensores e IA para prever falhas em máquinas industriais, captou US$ 130 milhões em uma Série D liderada pela Sapphire Ventures. A rodada avaliou a empresa em US$ 1,4 bilhão e a colocou à frente da Enter como a startup de IA mais valiosa da América Latina, segundo os últimos valuations divulgados.

Por Redação ias.news, Staff

outubro 23, 2026

Arte de divulgação em que a Tractian capta US$ 130 milhões em Série D, com homem de uniforme segurando um sensor da empresa

A Tractian, startup de manutenção industrial com inteligência artificial fundada em São Paulo, anunciou na quinta-feira (22) uma rodada Série D de US$ 130 milhões, cerca de R$ 650 milhões. A Sapphire Ventures liderou o aporte, com coliderança da Catalyst, braço de growth equity da gestora britânica M&G. A operação avaliou a empresa em US$ 1,4 bilhão, ou R$ 7 bilhões.

Investidores novos e antigos também entraram no cheque, entre eles N47, General Catalyst, Bosch Ventures, 53 Stations, Monashees, Endeavor Catalyst, Norte Ventures e Y Combinator, segundo o comunicado da empresa. Com o novo valuation, a Tractian afirmou ter se tornado o unicórnio de IA mais valioso da América Latina.

A marca supera a da legaltech Enter, avaliada em US$ 1,2 bilhão em maio, depois de captar US$ 100 milhões com o Founders Fund, de acordo com o Pipeline e o Startups. A comparação usa os últimos valuations divulgados. A Enter também enfrenta uma disputa judicial com a OAB-SP.

Como a Tractian capta US$ 130 milhões com IA física

A Tractian vende sensores próprios instalados em máquinas como compressores, bombas e chillers. Eles medem vibração, ultrassom, corrente elétrica e temperatura em tempo real. Um software treinado com o histórico de falhas coletado em campo aponta a causa provável de cada problema e sugere um plano de ação ao time de manutenção.

A empresa chama essa combinação de hardware, dados e modelos de IA física (physical AI). Segundo a Tractian, mais de 2.000 empresas usam a tecnologia, entre elas Eli Lilly, McKesson, Whirlpool, Coca-Cola, Cummins e Embraer, além de operadores de data centers. No Brasil, a carteira inclui Suzano, Dexco, EMS e Thyssenkrupp, informaram Pipeline e Startups.

“Esta rodada vai nos permitir escalar a plataforma ainda mais e fornecer insights estratégicos para otimizar a saúde das máquinas, fechar a distância entre o alerta e a ação e acabar com as paradas não planejadas e a perda de receita”, afirmou Igor Marinelli, CEO e fundador da Tractian, no comunicado.

Ao Pipeline, Marinelli descreveu a mudança de escopo do produto desde a fundação. “Começamos como um band-aid de máquinas, de predição de falhas mecânicas. E hoje fazemos o pacote de proteção de ativos em todos os ângulos do equipamento: mecânico, elétrico e operacional”, disse o executivo.

Para onde vai o dinheiro

Os recursos serão aplicados em pesquisa e desenvolvimento nos próximos cinco anos, segundo Pipeline e Startups. Parte do capital vai para o treinamento de modelos e para a compra de processadores da Nvidia. No comunicado, a empresa citou fabricantes, operadores de data centers, empresas de defesa e de utilities como alvos da expansão.

A Sapphire já havia liderado a Série C da Tractian, de US$ 120 milhões, em 2024. “O boom da IA está impulsionando uma construção gigantesca de infraestrutura física, e as empresas que a constroem e operam não têm margem para falhas em máquinas”, afirmou Anders Ranum, sócio da gestora, no comunicado.

Para JP Voltani, CTO da Tractian, a repetição da liderança pesa na leitura da rodada. “É um double down deles, no aspecto de que já tinham apostado em nós, viram outra oportunidade e quiseram liderar também essa nova rodada”, disse Voltani à Bloomberg Línea.

A empresa ainda não gera caixa. Marinelli disse ao Pipeline que espera chegar a esse ponto a partir de 2027. A receita anualizada está perto de US$ 100 milhões, segundo Pipeline e Startups. À Bloomberg Línea, a Tractian informou que passou dessa marca em setembro, ante US$ 40 milhões em 2024.

De São Paulo a Atlanta

Fundada em São Paulo em 2019, a Tractian transferiu a sede operacional e financeira para Atlanta, nos Estados Unidos, em 2024. A holding é americana, e a empresa mantém escritórios em São Paulo, Monterrey, no México, e na Polônia, aberto neste ano. Segundo o comunicado, são mais de 700 funcionários.

Cerca de metade da receita vem dos Estados Unidos, segundo Pipeline e Startups. A Bloomberg Línea informou que a fatia de fora do Brasil chega à metade, somando EUA e México. Em agosto, a empresa obteve financiamento de R$ 120 milhões do BNDES para desenvolver assistentes robóticos de inspeção industrial.