Google apresenta Gemini 4 Argon, mas acesso fica restrito ao Fairwind

O Google DeepMind apresentou em 30 de setembro o Gemini 4 Argon, mas por enquanto o modelo fica restrito a defensores cibernéticos do Fairwind Program, sem model-id público. Na API, o preço introdutório será de US$ 2 e US$ 10 por milhão de tokens de entrada e saída e depois sobe para US$ 4 e US$ 20, sem data divulgada para o fim desse período. Para quem usa Gemini ou Google Cloud no Brasil, nada muda hoje, mas o orçamento já deve prever a tarifa cheia.

Por Lívia, Staff

outubro 1, 2026

Gemini 4 Argon: arte oficial do Google com o nome do modelo e um grande número 4 sobre fundo azul

O Google DeepMind anunciou na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, o Gemini 4 Argon, seu novo modelo de fronteira para engenharia de software de longo prazo, trabalho jurídico e financeiro e defesa cibernética. Para quem já usa Gemini ou Google Cloud no Brasil, nada muda por enquanto: o modelo não está na API aberta, no Vertex AI nem no app Gemini, e o acesso ficou restrito a um grupo de defensores cibernéticos do Fairwind Program, segundo o post oficial assinado por Koray Kavukcuoglu. O Google já divulgou o preço de lançamento na API, de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída, mas não informou datas de liberação, desempenho em português nem regras por país.

O anúncio foi publicado no blog do Google às 17h (horário de Brasília) de 30 de setembro. Kavukcuoglu, vice-presidente sênior do Google DeepMind e arquiteto-chefe de IA do Google, apresentou o Argon como “our next era of frontier intelligence”, expressão que dá título ao post.

A liberação será feita em etapas. Depois do grupo inicial de testadores, o Google disse que o modelo chegará a desenvolvedores, empresas e consumidores, “starting with paid API customers and Google AI Ultra subscribers”, ou seja, primeiro para clientes pagantes da API e para assinantes do plano Google AI Ultra.

Quanto vai custar o Gemini 4 Argon na API

O Argon estreará com preço introdutório de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída, segundo o post do Google de 30 de setembro de 2026. Depois do período introdutório, que não tem data de término divulgada, a tarifa passará a US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 por milhão de saída, de acordo com a nota de rodapé do mesmo post.

Token é a unidade em que o modelo lê e escreve texto, algo como um pedaço de palavra. A conta separa o que entra (pergunta, documentos, histórico da conversa) do que sai (a resposta e, em modelos que raciocinam antes de responder, parte desse raciocínio).

O cached input funciona como um desconto para o que se repete. Quando uma aplicação envia sempre o mesmo início de pedido, como instruções fixas ou um contrato longo, o sistema guarda esse trecho e cobra menos para relê-lo. O Google informou que, no Argon, os tokens de entrada em cache terão desconto de 95% sobre o preço de entrada, o que equivale a US$ 0,10 por milhão de tokens sobre a tarifa introdutória de US$ 2 anunciada em 30 de setembro.

O post não detalha se o desconto de 95% continuará valendo sobre a tarifa cheia de US$ 4 depois do período introdutório. Também não informa custo de gravação no cache, preço para pedidos muito longos ou descontos de processamento em lote.

Até a tarde de 1º de outubro de 2026, o Argon não aparecia na página de preços da Gemini API, no catálogo de modelos da Gemini API nem na tabela de preços do Vertex AI, consultados pelo ias.news. Por isso, não há model-id público, e o Google não divulgou a janela de contexto de entrada do modelo.

Comparação com o GPT-6.1 Sol, da OpenAI

No preço de lançamento, o Argon empata com o GPT-6.1 Sol, que a OpenAI lançou um dia antes. Como o ias.news mostrou na reportagem sobre o GPT-6.1 Sol, o modelo da OpenAI custa US$ 2 por milhão de tokens de entrada, US$ 10 por milhão de saída e US$ 0,10 por milhão em cache, segundo a tabela da OpenAI consultada em 30 de setembro de 2026.

O empate tem prazo, embora o Google não tenha dito qual. Quando acabar o período introdutório, ainda sem data de término divulgada, o Argon passará a US$ 4 e US$ 20 por milhão de tokens de entrada e saída, o dobro do que a OpenAI cobrava pelo GPT-6.1 Sol em 30 de setembro de 2026.

Há uma diferença prática maior que o preço. O GPT-6.1 Sol já pode ser chamado na API desde 29 de setembro com o identificador gpt-6.1-sol, enquanto o Argon não tem data de chegada à API paga. Na comparação com o modelo mais caro da OpenAI, o GPT-6 Astra custa US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de saída, segundo a tabela da OpenAI de 30 de setembro de 2026, valores acima até da tarifa cheia anunciada para o Argon.

Quem pode usar o Argon hoje

Por enquanto, o modelo está sendo liberado para “a set of trusted cyber defenders” do Fairwind Program, segundo o Google. O programa foi criado em 2 de setembro de 2026 como um acesso limitado para governos e parceiros de confiança, com mais de 650 parceiros no mundo, de acordo com a página de lançamento do Fairwind Program.

O Fairwind funciona como uma allowlist, uma lista de convidados na porta. Só entra quem o Google aprovou previamente, e não há formulário aberto de inscrição no anúncio do Argon. Até agora, o programa oferecia o Gemini 3.8 Flash Cyber, variante restrita que o ias.news detalhou na reportagem sobre o Gemini 3.8 Flash.

O Google também afirmou que participa do processo voluntário do governo dos Estados Unidos para acesso a modelos antes do lançamento. Segundo o post, a empresa seguirá coletando avaliações dos primeiros testadores e ajustando as salvaguardas antes de abrir o Argon a desenvolvedores, empresas e consumidores “as soon as possible”, sem data.

O anúncio não cita o Brasil, a América Latina nem o português. A versão para a América Latina do blog do Google traduziu o post para o espanhol, mas até 1º de outubro não havia versão em português no blog do Google Brasil. Ausência de restrição explícita não significa liberação no país: hoje o modelo não está aberto em nenhum mercado fora do grupo do Fairwind.

O que o Google diz sobre desempenho

Segundo o Google, o Argon atingiu 77,9% no DeepSWE v1.1, teste de tarefas reais e longas de engenharia de software, o que a empresa chama de novo estado da arte. Na tabela publicada na página do Gemini no site do Google DeepMind, o GPT-6 Astra aparece com 74,1% no mesmo teste, o Claude Fable 5.1 com 67,4% e o Claude Opus 5.5 com 74,2%.

Em trabalho de conhecimento, o Google afirmou que o Argon lidera o Vals Index, que pondera finanças, programação, direito e tributos pelo peso de cada setor no PIB americano, com 68,9%. A empresa também reportou 65,4% no Vals Finance Agent v2, 19,6% no Legal Agent Benchmark da Harvey e 51,3% no AutomationBench, da Zapier, onde diz ocupar o primeiro lugar.

Em vídeo longo, o Google informou 91,7% no LVBench. Em contexto longo, a tabela do DeepMind traz 84,2% no GraphWalks com documentos entre 256 mil e 1 milhão de tokens, mas a empresa não transformou esse teste em uma janela de contexto oficial para o produto.

A mesma tabela mostra que o Argon não lidera tudo. Segundo os números do próprio Google, ele fica atrás de concorrentes no FrontierSWE v2 (55,0%, contra 65,5% do GPT-6 Astra), no Terminal-bench 4.0 (57,4%, contra 66,4% do Claude Opus 5.5), no Terminal-Bench Science 0.1 e no OSWorld-2.0, teste de uso de computador.

O documento de metodologia do Google DeepMind informa que vários resultados do Argon foram calculados pela própria empresa, com a configuração de raciocínio mais alta, e que os números dos concorrentes vêm, em geral, do que os fabricantes divulgaram. Nenhum dos testes citados mede desempenho em português.

Uso interno no Google

O Google disse que milhares de funcionários já usam o Argon no trabalho diário. Entre os exemplos do post, uma equipe de computação quântica teria superado em 40% uma referência publicada de otimização de recursos em poucos minutos, segundo a empresa.

Em outro caso descrito pelo Google, agentes do Argon analisaram dados de desempenho dos data centers da empresa e aplicaram otimizações de memória que liberaram mais de 300 TiB. A empresa estima economia total entre 500 TiB e 1 PiB, sem detalhar o método da estimativa.

O post também descreve migrações de código C e C++ para Rust, de bibliotecas como re2 e libgav1 até o kernel Zircon, do Fuchsia, com mais de 800 mil linhas. No libgav1, decodificador de vídeo de código aberto, o Google afirmou que o Argon substituiu 32 mil linhas de código SIMD e deixou a versão em Rust 2,7 vezes mais rápida, com saída de vídeo idêntica. A empresa ressaltou que essas reescritas passam por auditoria automática e manual antes de ir para produção.

Saída de até 1 milhão de tokens

O Google ampliou o limite de saída do Argon para 1 milhão de tokens, contra 64 mil tokens do limite anterior, segundo o post. A empresa chamou o número de “industry-leading” e disse que a folga permite ao modelo raciocinar e gerar centenas de milhares de tokens em uma única execução.

Esse é o limite do que o modelo pode escrever em uma resposta, não do que ele pode ler. Como a saída é a parte mais cara da conta, uma resposta que chegasse a 1 milhão de tokens custaria US$ 10 na tarifa introdutória e US$ 20 na tarifa cheia, pelos preços que o Google anunciou em 30 de setembro de 2026.

A versão para defesa cibernética

O Google tratou à parte o uso do Argon em segurança. Para defensores de confiança e equipes internas, a empresa disse que liberará o modelo “without cyber guardrails”, sem as travas que limitam pedidos sobre ataques, para que ele possa encontrar, validar e corrigir vulnerabilidades sozinho. Essa configuração não está prevista para o público geral.

Segundo o Google, a Wiz já usa o Argon na iniciativa Scan for Good, que procura falhas em infraestrutura pública crítica de graça. A empresa afirmou que o modelo achou uma vulnerabilidade crítica que expunha dados pessoais em software de saúde usado por hospitais de vários países, falha que modelos anteriores não tinham detectado. O post não identifica o software.

No CWE-bench v1, que mede a correção de vulnerabilidades, o Google informou que o Argon empatou em primeiro lugar com 68%. Nos testes de descoberta de falhas, a empresa comparou o Argon apenas com o Gemini 3.8 Flash Cyber, em um benchmark interno do Google e em outro interno da Wiz, sem divulgar notas no texto do post. Esses resultados de segurança não se misturam com os de programação e trabalho de conhecimento citados acima.

Salvaguardas antes da liberação ampla

O Google listou quatro frentes de proteção. A primeira é impedir uso do modelo em ataques cibernéticos e com armas químicas, biológicas, radiológicas e nucleares, inclusive monitorando ativações internas do modelo, segundo a empresa.

A segunda é a resistência a prompt injection indireta, quando instruções maliciosas escondidas em um documento ou página tentam sequestrar o comportamento do modelo. O Google afirmou que o Argon lidera o benchmark de prompt injection indireta da Gray Swan.

As outras duas são o monitoramento do raciocínio e das ações do modelo para interromper execuções que fujam da intenção do usuário e o isolamento dos ambientes de teste. A empresa pediu ao restante do setor que preserve a transparência do raciocínio dos modelos.

O que não foi divulgado

O Google não informou quando termina o preço introdutório, quando o Argon chega à API paga e ao Google AI Ultra, nem se o modelo chegará aos planos gratuitos ou ao app Gemini. Também não publicou model-id, janela de contexto de entrada, limites de uso nem model card até 1º de outubro de 2026.

O anúncio não traz medição de desempenho em português nem menção a países específicos. Também não há, até agora, vídeo oficial do Google ou do Google DeepMind no YouTube dedicado ao lançamento.

O que muda na prática para quem usa Gemini e Google Cloud

Para o desenvolvedor ou a empresa brasileira, nada muda hoje. Aplicações na Gemini API e no Vertex AI continuam nos modelos atuais, porque não há identificador do Argon para chamar, e assinantes do app Gemini também não ganharam o modelo.

O que já dá para fazer é planejar o custo. Se o Argon chegar à API nos US$ 2 e US$ 10 por milhão de tokens anunciados, ele custará o mesmo que o GPT-6.1 Sol, mas o orçamento deve prever a tarifa de US$ 4 e US$ 20, que vale depois de um período introdutório sem data de fim divulgada. A cobrança é em dólar, e o valor em reais depende do câmbio e dos impostos de cada contratante.

Quem quiser acesso antecipado depende do Fairwind, restrito a parceiros convidados em segurança, ou da futura fila de clientes pagos da API e assinantes do Google AI Ultra. Antes de migrar qualquer produto em português, o caminho seguro é esperar a documentação oficial e testar o modelo com as próprias tarefas, já que o Google não divulgou números nesse idioma.