A Emilia AI captou US$ 1,5 milhão em rodada pre-seed liderada pela Prosus Ventures, braço de early stage da controladora do iFood. O aporte foi anunciado em 14 de setembro de 2026. A startup usa câmeras de segurança já instaladas e dados de PDV para operar agentes de vendas e antifraude em restaurantes.
A Prosus Ventures entrou com US$ 1 milhão, cerca de 70% do total. Os US$ 500 mil restantes vieram de investidores-anjo do setor de tecnologia cujos nomes não foram divulgados. A informação foi publicada pela Startups e pelo Pipeline Valor.
Fundada em 2024 pelos colombianos Andrés Cajiao, CEO, e Sebastian Rojo, CTO, a empresa tem sede nos Estados Unidos e trata o Brasil como principal mercado. O capital novo deve financiar o desenvolvimento da plataforma e a expansão no país, com avanço posterior sobre a América Latina.
A tese da Emilia AI é aproveitar infraestrutura que muitos restaurantes já possuem. Câmeras gravam o salão e a cozinha o dia inteiro, mas erros e fraudes costumam ser percebidos só depois do prejuízo. A startup instala uma camada de inteligência artificial sobre esse vídeo e cruza a imagem com o ponto de venda.
Emilia AI restaurantes: câmeras e PDV viram agentes de vendas
Dois agentes concentram o produto. O Coach observa o salão em tempo real e aponta oportunidades de venda, como bebida ou sobremesa que não foram oferecidas quando o prato se esvazia. O Sentinel atua como antifraude e sinaliza prato que sai da cozinha sem passar no caixa, visita não autorizada ao estoque ou fechamento de caixa que não bate.
“A Emilia foi construída para ser os olhos do dono no chão do restaurante, mesmo quando ele não está lá”, afirmou Cajiao. Em outra declaração, o CEO reforçou que a visão da empresa é ampliar a capacidade da equipe, e não substituí-la. Segundo ele, o Coach deve ajudar garçons a vender mais, trabalhar de forma mais inteligente e ganhar melhor por isso.
De acordo com números apresentados pela própria Emilia AI, um bar ou restaurante brasileiro troca todo o quadro de funcionários a cada 16 meses. A empresa estima rotatividade acima de 70% ao ano, mais que o dobro do restante do setor de serviços. A aposta é que, se o garçom vende mais e ganha mais, a rotatividade cai pela ponta da remuneração.
O Pipeline Valor informou que a solução não usa biometria nem grava conversas fora do atendimento, e que os vídeos não são armazenados fora do restaurante, segundo os fundadores. O posicionamento aproxima o produto de um “maître de IA” voltado a suporte interno, e não a vigilância externa do cliente.
Cases citados pelos fundadores
Nos argumentos apresentados a investidores, a Emilia AI cita o grupo Alife Nino, que opera mais de 100 estabelecimentos no Brasil. Segundo a empresa, o piloto teria gerado retorno de cerca de 28 vezes sobre o investimento, com aproximadamente US$ 300 de receita adicional por mesa ao mês frente a um custo de cerca de US$ 10 por mesa. Os números foram apresentados pela companhia e pelos fundadores.
“Mais do que o aumento nas vendas, para nós o valor está na hospitalidade”, disse Pedro Silveira, cofundador e CEO do Alife Nino. Ele afirmou que a parceria interessa por usar tecnologia para cuidar de cada detalhe da experiência do cliente.
O segundo piloto citado foi na Jin Jin, rede franqueada do iFood. De acordo com a Emilia AI, o Sentinel comprimiu 12 horas de gravação em incidentes relevantes e identificou fraudes que passavam despercebidas, como visitas não autorizadas ao estoque e fechamentos de caixa inconsistentes. A rede escala a solução para mais de 77 lojas, segundo a cobertura da Startups.
Por que a Prosus entrou
Matheus Campos, head de América Latina da Prosus Ventures, descreveu a Emilia AI como aposta estratégica para aprofundar a integração de IA no ecossistema do grupo, em especial no foodservice. No Pipeline Valor, Campos afirmou que o iFood e a Emilia AI podem testar sinergias, mas que o objetivo da rodada é manter a startup independente para servir todo o setor.
O cheque se soma a outra aposta recente da Prosus Ventures em agentes de IA na América Latina. Neste ano, o braço liderou uma extensão de seed de US$ 7 milhões na Zapia, assistente de IA pelo WhatsApp. Em ambos os casos, a tese anunciada é a de agentes que executam tarefas, e não apenas respondem perguntas.
Para o leitor brasileiro, o movimento importa porque conecta o maior app de delivery do país a uma camada operacional dentro do salão. Em vez de disputar só a demanda online, a controladora do iFood passa a financiar software que mira vendas no chão e perda no caixa, dois pontos sensíveis da margem de restaurantes e franquias.
A Emilia AI ainda opera em fase inicial, com cases de piloto e números de retorno apresentados pela própria empresa. A expansão no Brasil e na América Latina deve testar se Coach e Sentinel sustentam, na escala, os ganhos que os fundadores atribuem aos primeiros clientes.
